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Masakatsu Agatsu Katsu Hayabi


A tradução literal para o texto de Ō-Sensei é a seguinte:

勝   MASAKATSU - "Vitória correta, justa".

勝   AGATSU - "Vitória sobre si próprio".

速 日 KATSU HAYABI - "Dia de uma rápida vitória".





Aikido a Epifânia de O'Sensei

 

Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado no sentido filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a  imagem completa" do problema. O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão I just had an epiphany, o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural).
Epifania também possui o significado de manifestação ou aparição divina. Diversos personagens históricos, na maioria líderes religiosos, filósofos, cientistas, místicos, escritores, teriam tido experiências epifânicas, dentre eles:
. Buda
. Moisés
. Arquimedes
.  Maomé

Este conceito não deve ser confundido com a festa religiosa cristã denominada Epifania do Senhor, que celebra a ascensão humana de Jesus Cristo.

Para se compreender o Aikido é necessário conhecer as bases em que ele foi criado, entender algumas noções de Shintoísmo. O fundador do Aikido era um homem muito religioso, ele fora membro da religião shintoísta no Japão e também companheiro de Onisaburo Degushi, que foi um grande líder espiritual na década de 20 e 30 no Japão.
O Shintoísmo prega que o homem nasce como uma manifestação da divindade, portanto é um Deus, porém devido a "poluições" (tsumi), seus sentidos e percepções ficam enevoados e ele não consegue perceber a criação divina. Assim no Shintoísmo o homem deve se purificar começando por "harae tamae, kiyome tamae rokkon shojo". "Harae Tamae", significa organizar e polir os locais perto de onde se está, bem como corpo e mente, de forma a sair da condição de impureza estagnada (todokoori)." Kiyome Tamae", significa esvaziar-se, abandonar o ego, após feita a purificação. Este abandono do ego, este esvaziamento, fará com que nasça algo novo do nada, e assim nova energia (KI), irá surgir. "Kiyome" traz a criatividade. "Rokkon shojo" significa restaurar a mente e o corpo de forma pura e integral, através de um refinamento dos sentidos, dos olhos, dos ouvidos, da língua, do nariz, dos membros e da mente através de uma ação sobre os 5 orgãos, o coração, os rins, o fígado, o pâncreas e o estômago. Neste estado de pureza a natureza divina poderá emergir e ser restaurada, e assim o indivíduo passa a entrar em ressonância com a criação, com o divino. Para se tornarem pacíficos e felizes, diz o Shintoísmo, as pessoas têm que manter uma atitude mental positiva e assim receber "Ohmitama", a sabedoria e a força que a Grande Natureza contém.
Para recebermos este maravilhoso estado de percepção, nós temos que estar sempre agradecidos por estarmos vivos, e nos esforçarmos para levar avante a missão nesta terra que o mundo divino nos deu. Em outras palavras, nós viveremos seguindo as leis da Grande Natureza, unidos com ela, seguindo seu fluxo, seu kokyu (Kannagara tamashi haimase).
"Kannagara" é o movimento contínuo e infinito dos corpos divinos, que vão acontecendo junto com os "Kamis", forças divinas, que com sua ação geram tudo o que ocorre na Terra, que é um mundo material e concreto.
"Kannagara" provavelmente seria denominada por nós ocidentais provavelmente com a expressão "religião natural", constratando com as religiões do ocidente que seriam "reveladas", dependendo da fé.
O Shintoísta acredita no que percebe, no que sente, não necessita de dogmas ou crenças que não constata. A vida do homem existe no "Daishizen", (Grande Natureza), onde ele vive e encontra significado para sua existência. Para se purificar o shintoísta usa um ritual chamado " Misogi".

Misogi é o processo de conduzir para fora do corpo a maldade, livrando-o de corrompimentos e polindo o espírito. Conforme as camadas de sujeira e corrupção são retiradas, nossa imaculada luz interior brilha com maior intensidade.
Para o Fundador do Aikido, a arte seria um exercício de "Misogi".
Aikido é Misogi, o grande caminho de purificação. Já que estamos dotados de vida somos divinos, porém devido a pensamentos inferiores e imperfeições nossa verdadeira natureza fica obscurecida. Em vez de utilizarmos a água para purificar nossas impurezas nós utilizamos as técnicas do Aikido, sendo que cada corte de espada, cada movimento com o Jo e cada sabaki do corpo é um ato de expulsar o mal, limpando o coração.
Buscar o vazio, mas estar cheio. Talvez esta seja uma das principais lições para quem quer iniciar um caminho.

Limpar a mente:

Sao Tome sensei conta uma historia que quando ele uma vez foi preparar o banho de O’Sensei antes de suas orações quando  ele foi checar a temperatura da água colocando suas mãos na banheira, o O’Sensei o viu fazendo isso e perguntou: o que você está fazendo? Hai só estou checando a temperatura da água “ai O’Sensei irritado falou – você é um idiota! Eu tomo banho antes das minhas orações para me purificar, como você testa a temperatura da água com as suas mãos sujas de cinzas.

Acredito que para praticar devemos ter o mesmo espírito, para aprender precisamos purificar a mente deixando-a limpa, pura para podermos absorver os ensinamentos, O`Sensei disse que o Aikido não é sobre técnicas, mas sim sobre como os homens devem viver suas vidas, o Aikido não é realmente sobre teoria ou racionalização, o espírito é criar uma esfera de sentimentos harmoniosos entre as pessoas de modo que elas possam se entender umas as outras através do sentimento e com o coração.

A mente é um órgão de reflexão, reage a tudo. Enche sua cabeça com milhões de pensamentos aleatórios o tempo todo, nenhum desses pensamentos revelam mais sobre você do que uma espinha na ponta do nariz.

Precisamos aprender a jogar fora tudo que não precisamos de dentro das nossas mentes, precisamos estar dedicados 100% ao que estamos fazendo, viver neste momento, quando não conseguimos prestar atenção é porque nossa mente esta cheia de pensamentos e perdemos tudo que acontece a nossa volta, esses pensamentos nos afastam da única coisa que importa, “ESSE MOMENTO” o aqui e agora (Tada ima).

O Objetivo de treinar Aikido é como podemos nos livrar da ilusão e começar a descobrir a realidade. Quando estiver aqui e agora, ficará maravilhado com o que pode fazer e como pode fazê-lo bem. Pois tudo que nos temos é o agora, este exato momento.Uma outra lição que devemos aprender é que precisamos doutrinar o “EU” da nossa técnica e da nossa vida.
O Ego é a segunda natureza existente na nossa psicologia. É a nossa parte mais grotesca, nossa parte animal. A essência, porém está adormecida, inconsciente... Então a conclusão disto tudo é que passamos a vida toda adormecidos, achando que vivemos em plena consciência.
Vivemos a vida do ego, com suas preocupações, preconceitos, ranços, invejas, orgulhos, luxúria, vaidades, materialismos, enfim os nossos pecados capitais; ou vivemos de lembranças do passado ou de planos para o futuro, e esquecemos de viver o momento presente, o agora, o exato instante.
O Ego se manifesta através dos nossos pensamentos. Por que a mente é tão ativa, quantos milhares de pensamentos nos atordoam a todo instante?
Por que quanto mais pensamos em um problema, mais nos enrolamos nele? E quando deixamos de pensar e ouvimos a nossa intuição os problemas se resolvem como num passe de mágica?
Cada pensamento destes vem de uma criatura pensante que nós mesmos criamos. O Ego se utiliza da nossa mente para agir, e é exatamente aí que alimentamos nossos defeitos quando damos ouvidos a eles.
Se formos atrás de cada um de nossos pensamentos erramos fatalmente, pois não temos apenas uma mente, um ponto de apoio, e sim milhões delas, somos multi-pontos, cada qual querendo nos conduzir para um lado diferente. Então em quem confiar? Precisamente em nenhum deles, pois todos nossos pensamentos nos conduzem ao erro.

É urgente aprendermos “ouvir” A VOZ DO CORAÇÃO.

O’Sensei dizia “Kokoro maruku taisanmen ni hirake”

 “Quando você se posicionar em hamni tenha o coração aberto para entender seu parceiro.”

E isso só é possível quando atingimos o SILÊNCIO MENTAL. É impossível se concentrar, aprender e compreender em meio ao emaranhado dos nossos pensamentos.

O trabalho interior requer muita disciplina. Devemos buscar as respostas nas práticas, no silêncio mental, só assim sairemos das confusões e dúvidas que povoam nossas mentes.
Nossa consciência é uma partícula divina, uma parte de nosso Real Ser. Podemos chamá-la também de Essência. É o que de mais nobre levamos dentro de nós  e é imortal. Conforme vamos aprendendo a “DOMAR” nosso ego, vamos fortalecendo a consciência, já que cada eu mantêm aprisionada uma fração de nossa Essência. Assim é como vamos realmente mudando interiormente, substituindo pouco a pouco nossos muitos defeitos pelas novas virtudes, e ficando mais próximos da Divindade.
Entendo que o ego é uma ferramenta importante do ser humano. Não devemos matar o ego, ao contrário, o trabalho deve atuar no sentido de domar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.
Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus ouvintes.
Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz “inteiro”, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Nós somos o cavaleiro, a montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?
Castrar o ego seria fácil. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo demonstra coragem e disposição para a luta.
Não devemos ser castrados. E sim trabalhar o ego. Em seguida, canalizar essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo mal educado, selvagem, criador de casos e de conflitos, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.
Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.

Massakatsu, agatsu, katsu hayabi, ou seja, a vitória sobre si mesmo, graças à pureza de espírito. Vencer com a verdade, onde o tempo e o espaço são inexistentes.

Satori é uma palavra japonesa usada no Zen Budismo para o fenômeno do Despertar Repentino, o lugar da distinção entre experimentador e experiência, sabedor e saber. É o apagar, o extinguir do sentido do eu pessoal ("Eu sou eu, e você não é"). Equivale em seu sentido a Moksha, uma palavra do sânscrito que significa "liberação de todas as amarras" através da união com Deus ou da Realização do Eu.
A experiência direta de realização da Mente, da obliteração do ego, a experiência do viver, do Eu na sua forma sagrada. Satori demonstra além de qualquer dúvida que nós somos parte da essência divina, que Deus e nós somos um só.
"O Satori é uma espécie de percepção interior - não naturalmente a percepção de um objeto específico, mas, por assim dizer, a faculdade de sentir a verdadeira realidade. É uma percepção de ordem mais elevada."
Geralmente usa-se os termos Satori ("entender") e Kensho ("despertar") para definir a mesma experiência. O Kensho é uma breve expansão da consciência, onde temos um pequeno vislumbre da verdadeira natureza das coisas. Terminado o Kensho, retornamos ao adormecimento profundo na nossa mente, que em si forma o EGO. Já o Satori é usado para um estado de iluminação mais profundo e duradouro.
Buscar o Takemussu Aiki talvez seja o caminho para vislumbrar nossa Epifânia, não apenas nas técnicas do Aikido, mas na própria vida, pois assim acredito ter entendido algumas palavras de O’Sensei:

"O segredo do Aikido, não está no modo como você move os pés, está no modo como você move sua mente. Eu não estou ensinando técnicas marciais; Estou ensinando a não-violência."

Mover céu e terra sem esforço é uma simples questão de concentração.

O Aikido resumia-se no básico e conseqüentemente na postura, respiração e atitude, tentando unir o corpo e o espírito.

Se você pode vencer o ego e encontrar a sua correta e apropriada proposta de vida então a velocidade da luz se manifestará na sua técnica, a verdade da vitoria precisa ser encontrada dentro de cada um (massakatsu katsu agatsu haiaby). Uma vez vencido o ego, a sua técnica terá a velocidade da luz.(“agatsu katsu hayabi no mikoto”):  vitória própria, sempre vitorioso: significa que nunca há derrota.

O aikido é uma cruz e um circulo, o circulo simboliza o universo e a cruz um ponto no espaço atemporal, estar aqui e agora é muito importante, se você consome o seu tempo se preocupando com o amanhã ou com o ontem você está vazio aqui e agora.

Morihei Ueshiba


Texto Shidoin Eduardo A. de Paula fev 2009


Takemussu aiki


Infelizmente por falta de visão de algumas escolas que praticam o Aikido como se fosse uma ginástica, ou uma dança, ou então pensando apenas em termos de defesa pessoal, sem reverencia ao Divino, sem vislumbramento para a grande natureza o “Daishizen”, não evoluem e acabam achando que as técnicas não funcionam. Cometem o mesmo erro que alguém faria tendo um revolver e no lugar de atirar usando balas usassem uma pedra para golpear atacantes.

Para que o Aikido realmente cresça no mundo esta maneira de ver a arte de forma limitada tem que mudar. 

Por isto é importantíssimo a compreensão do “Takemussu Aiki” ,que os mestres alunos de O Sensei que realmente treinaram com ele por longos anos sabiam, e que poucos atualmente herdaram, mas eles existem.

Como se disse , este aspecto do Takemussu Aiki chegou no Instituto Takemussu ainda na década de 80, quando o mestre Wagner Bull foi aluno de Massanao Ueno , um pastor xintoísta que houvera treinado com um aluno de O Sensei e ele próprio também, e este lhe ensinou estes conceitos básicos pela primeira vez e durante 3 anos lhe inspirou a criar uma organização para juntar pessoas que tivessem interesse em pesquisar e evoluir dentro da proposta . No inicio ele foi mal compreendido, pois é sabido que "Santo de casa não faz milagre", mas com o tempo as pessoas começaram a entender melhor o que ele começou a dizer aqui no Brasil através de livros e artigos que fez chamando atenção para o Takemussu Aiki.

Hoje, já existe farta literatura sobre Takemussu Aiki disponível para quem quiser ler inclusive em português, muitos destes livros foram traduzidos pelo mestre Wagner Bull, diretor técnico do Instituto Takemussu.

O pros lhes dando uma existência muito mais consciente e feliz.

E poderão então repetir, com reverencia, temor e deslumbramento, no começo e final de todas as aulas como fazemos no Instituto Takemussu, a expressão :


“Kannagara Tamashii Haemase” 

(Seguindo as leis do Universo a cada dia seremos mais e mais felizes).



As 7 Virtudes do Bushido

  • GI (?) - Justiça e Moralidade, Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar;
  • YUU (?) - Coragem, Bravura heróica.
  • JIN (?) - Compaixão, Benevolência.
  • REI (?) - Polidez e Cortesia, Amabilidade.
  • MAKOTO (?) - Sinceridade, Veracidade total.
  • MEIYO (?) - Honra, Glória;
  • CHUU (?) - Dever e Lealdade.

O Bushido foi formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e Confucionismo. A combinação dessas doutrinas e religiões formaram o código de honra do guerreiro samurai, conhecido por Bushido.

Em função das influências do Budismo, os samurais não temiam a morte, pois acreditavam na existência da vida após a morte: (ex: kamikazes) renasceriam no encargo de guerreiro em suas contínuas reencarnações. Os samurais também não temiam os perigos, uma vez que as técnicas de meditação do Zen foram usadas como um meio de limitar esse temor. Com os ensinamentos Zen, os samurais buscavam entrar em harmonia com o seu Eu interior e com o mundo à sua volta.

O Bushido foi influenciado também pelos preceitos do Xintoísmo, como a lealdade, o patriotismo, e a reverência aos seus antepassados. Com tal lealdade para com a memória de seus ancestrais, os samurais empenham essa mesma reverência ao imperador e ao seu daimyo ou senhor feudal. O Xintoísmo também fornece a importância para o patriotismo com o seu país, o Japão. Eles crêem que a Terra não existe apenas para suprir as necessidades das pessoas. "É a residência sagrada dos deuses, dos espíritos de seus antepassados…" A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada por um Amor intenso.

O Confucionismo oferece ao Bushido a sua crença em relação aos seres humanos e às suas famílias. O Confucionismo ressalta o dever filial e as relações entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo e entre amigos mais velhos e mais novos, que são seguidas pelos samurai. Junto com estas virtudes, o Bushido também prega a justiça, benevolência, coragem, amor, sinceridade, honestidade e autocontrole. A justiça é um dos principais fatores no código do samurai, assim como o amor e a benevolência, que são suntuosas virtudes dos samurais.